O que fazer na Chapada Diamantina – BA

Pai Inácio

Este post é dedicado a fazer um resumo geral da Chapada Diamantina, destacando as principais cidades e atrações para ajudar os aventureiros de primeira viagem num dos parques mais bonitos do Brasil, quiçá do mundo.

Se você nunca foi para a Chapada e já está procurando informações sobre o parque deve estar se sentindo perdido, como eu fiquei. O Parque Nacional da Chapada Diamantina  possui muitas atrações espalhadas em 1.520 km² e em 4 principais pontos de partida (nordeste, noroeste, sul e leste).

 

NORDESTE DA CHAPADA DIAMANTINA

Lençois

  • LENÇÓIS

A principal porta de entrada do Parque é o município de LENÇÓIS. Sem dúvida alguma, esta é a cidade com maior infra-estrutura e luxo (com simplicidade) da região. Lembrou-me muito Parati (RJ). As ruas são todas de pedra, cheias de lojinhas charmosas, restaurantes boutiques, pessoas mais arrumadinhas. É uma graça! Vou destacar as principais atrações próximas de Lençóis, mas desta cidade saem grupos de turismo para todos os cantos do parque.

  • Morro do Pai Inácio
Pai Inácio 2

No topo do Pai Inácio

A 22 km de Lençóis fica o cartão postal da Chapada Diamantina. O Morro do Pai Inácio te presenteia com uma vista de 360 graus do parque, a 1.120 metros de altitude. Chegar no topo dele é muito fácil. Na sua base existe um grande estacionamento e a subida é de apenas 300 m, que dura cerca de 20 minutos. A hora mais concorrida é a do pôr do sol, mas nem por isso fica demasiado cheio, já que o alto do Morro é um enorme platô que acomoda todo mundo! Não há necessidade de guia, mas se você não estiver de carro, vai ter que fechar com alguém para te levar até lá.

 

  • Fazenda Pratinha
Pratinha

Fazenda da Pratinha

A Fazenda Pratinha é uma propriedade privada a 47 Km de Lençós. A entrada custava R$ 20,00 (out/15). Parece um clube, pois tem uma certa infra-estrutura. Tudo é muito simples, mesas e cadeiras de plástico e um restaurante que “dá para o gasto” (só tinham opções de fritura e vieram com muito óleo. Não curti.). Em geral, o serviço é bom e as pessoas são muito simpáticas. E o lugar é maravilhoso de lindo!!!! A água é cristalina, transparente! Incrível! Recomendo muito a visita. A fazenda oferece alguns serviços pago a parte também como tirolesa, caiaque e flutuação na gruta. Eu não cheguei a usar.

A minha recomendação é passar o dia na Fazenda Pratinha e ao fim do dia subir o Morro do Pai Inácio, que é caminho de volta para Lençóis.

 

  • Cachoeira do Mosquito
cachoeira-do-mosquito

Cachoeira do Mosquito Foto:https://www.tripadvisor.com.au

Infelizmente eu não tive tempo para ir nessa cachoeira, e como eu tive oportunidade de ir a cachoeiras semelhantes no sul do parque, deixei para uma próxima visita. Caso você não vá à Cachoeira do Buracão (no sul), não deixe de ir na Cacheira do Mosquito! Como todas as atrações acima, essa também não precisa de guia e o seu acesso é fácil para quem estiver com carro. As meninas Lara e Juliana do blog “O Mundo é Pequeno para Mim” escreveram o passo a passo para chegar até a cachoeira. Como elas descrevem, o acesso à cachoeira é uma caminhada de apenas 20 minutos.

 

LESTE DA CHAPADA DIAMANTINA

igatú

Nesta região existem três principais cidades para se hospedar: Andaraí, Mucugê e Igatu, na ordem da maior para a menor. Minha escolha foi a bucólica Igatu para ficar.

  • IGATU

igatu

Igatu é uma cidade de outro mundo que parece ter parado no tempo. Xique-Xique de Igatu surgiu na época áurea da mineração, no século XIX, e chegou a acomodar 9 mil habitantes. Bem diferente do que se vê hoje, onde não se vê nem 400 habitantes. Igatu é uma vila na beira do penhasco, repleta de casas de pedras. A natureza e as casas se misturam como uma coisa só, a não ser quando as casas são pintadas das cores mais alegres. É realmente uma experiência única. O acesso a vila não é dos mais fáceis pois a estrada é estreita, ao lado de penhasco e feita daquelas pedras gigantescas. Mas não tive qualquer dificuldade em chegar até a vila. Só me arrependi de não ter ficado mais tempo por lá, trocando conversa fiada com os moradores locais que são uma simpatia a parte.

Para uma experiência ainda mais perfeita, recomendo a hospedagem na charmosa Pousada Flor de Açucena.

A principais atrações próximas de Igatu são:

  • Poço Azul
poço azul

Poço Azul

O Poço Azul fica a 60 km de Igatu. Para conhecer é preciso ir de carro até a entrada, onde deve ser formado um grupo de 10 pessoas para descerem até o poço (acesso a cada 30 minutos). É obrigatório o uso de colete de salva-vidas para entrar na água. O poço é realmente lindíssimo! A água tem uma transparência única! O lugar possui um restaurante com comida caseira bem gostosinho.

Vale dizer que como eu fui num sábado no meio do feriado de 12/10, eu tive que esperar quase 3 horas pela minha vez. Como a visita ao poço é mais bonita com iluminação (até 15h ou 16h no horário de verão), eu quase “perdi” a viagem. Cheguei umas 11h, mas só consegui descer às 14h.

 

  • Poço Encantado
Poço-Encantado

Poço Encantado Foto:http://coconomato.com.br/

A 37 km de Igatu, o Poço Encantado é famoso por aquele raio de sol na sua água cristalina. Infelizmente, eu não pude ir no poço, mas sei que eles trabalham num esquema parecido com o Poço Azul, ou seja, cobram uns R$ 20,00 por pessoas, as organizam em grupos e vão descendo a cada 30 minutos com cada grupo. Eu li que o efeito da luz no Poço Encantado só ocorre na parte da manhã. Um ponto que me fez preferi escolher o poço azul em detrimento ao poço encantado foi que no encantado não é possível mergulhar.

 

SUL DA CHAPADA DIAMANTINA

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A maior cidade ao redor do Parque da Chapada fica ao sul e se chama Ibicoara. Ibicoara não tem charme algum… É uma cidade do interior como qualquer outra. Por isso, eu pesquisei uma alternativa e fiz uma descoberta maravilhosa no blog Viajadora e repeti os passos delas. Ao sul da Chapada eu me hospedei no povoado do Baixão no Abrigo do Mato.

  • ABRIGO DO MATO

abrigo

O Abrigo do Mato é a casa de uma família super querida: Luciano, Tâmara e Lia. Eu só conheci o Luciano e a Lia quando eu estava por lá, pois a Tâmara estava viajando. De todos os lugares que passamos, foi o lugar que mais tocou em mim e me trouxe a experiência mais intensa. Dormimos duas noites lá e foi super agradável. O Luciano, além de proprietário da casa, é guia oficial de trilhas na Chapada Diamantina. Assim, durante o dia fazíamos as caminhadas e à noite jantávamos comida caseira na mesa da cozinha, com um papo muito bom que durava horas. A casa é simples, mas super charmosa e confortável. Ela possui 3 quartos, cada um com uma cama de casal. Só tem um banheiro e ele fica do lado de fora da casa.

As principais atrações ao redor dessa região são:

  • Cachoeira do Buracão
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Cachoeira do Buracão

Essa foi a minha cachoeira predileta de toda a viagem! Além de linda, o acesso é fácil e bonito. Apesar de ficar muito longe de Lençóis, fazendo com que pouca gente vá até lá, vale muito a pena o esforço.

Apesar da cachoeira do Buracão estar na região da Chapada Diamantina, ela se localiza dentro do Parque Municipal do Espalhado. Para ir até a cachoeira é OBRIGATÓRIO guia. Mas a caminhada é super tranquila. Nem precisaria de guia, para falar a verdade, se não fosse obrigatório.

Para chegar no início da trilha eu fui até a entrada da cidade de Ibicoara (para quem chega de Lençóis), assim que você passa o posto de gasolina, você vai deparar numa praça, onde deve-se virar à direita. Na dúvida, basta perguntar para qualquer um na rua. Todos sabem o caminho e vão te oferecer o serviço de guia deles também, informando que é obrigatório. Indo toda vida em frente depois de virar a direita, a estrada de terra começa e basta seguir sempre a principal (ficando na esquerda, se houver dúvida). Ignore qualquer placa escrito cachoeira à direita, mantendo-se à esquerda. No seu lado esquerdo você vai passar uma enorme tenda de circo (no meio do nada você vai ver uma tenda de circo sim, coisas que acontecem só na chapada). Mais adiante vai ver um outdoor da cachaça, siga em frente onde você vai entrar na comunidade do Mundo Novo. Passe por essa comunidade e vire à direita na primeira bifurcação. Alguns metros adiante você vai ver a portaria com um cone na porta, onde você deve parar e se identificar.

Se você não tiver guia, será relativamente fácil conseguir um na portaria ou nessa comunidade antes da entrada. Não será permitida a passagem sem guia.

A partir daí, você segue a pé por uma caminhada quase plana, mas pedregosa, seguindo o leito do Rio Espelhado. A paisagem é linda! Tem-se a vista da cachoeira por cima e por baixo. Depois de ir a cachoeira (que fica super cheia!), aproveitei o resto do dia num dos cantinhos do córrego do rio.

 

  • Cachoeira da Fumacinha
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Cachoeira da Fumacinha                 Foto:ChapadaAdventure.com

A cachoeira da Fumacinha tem o acesso mais difícil de todas as atrações da Chapada Diamantina. Precisa-se de um bom preparo físico e uma mãozinha de São Pedro para o tempo ficar firme. A caminhada ocorre num vale de canyon e você precisa pular de pedra em pedra do Riachão nos 9km até a Fumacinha. Quando tentei ir, ficou garoando a manhã inteira, deixando as pedras escorregadias. Em 3h30 de caminhada cheguei só até a metade do caminho de ida e acabei desistindo, porque fiquei receosa de escurecer na nossa volta.

A minha recomendação é que caminhada inicie o mais cedo possível, tipo 7h, para garantir que não aconteça o que aconteceu comigo. Ou, ainda melhor, planeje-se para fazer a trilha em 2 dias, acampando no meio do caminho.

Não saberei descrever como cheguei ao início da trilha, pois estava com o Luciano (o guia) e acabei não prestando atenção na estrada.

 

SUDOESTE DA CHAPADA DIAMANTINA

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  • VALE DO CAPÃO

O Vale do Capão é um show à parte na Chapada Diamantina. É um santuário ecológico, repleto de esoterismo. Foi fundado nos anos 70 por médicos de Salvador que buscavam aplicar a medicina alternativa. Desta forma, você vai encontrar vários tratamentos terapêuticos e pessoas de todo canto do Brasil à procura de autoconhecimento, espiritualidade e de uma vida mais sustentável. É até difícil encontrar pessoas que nasceram por lá, a maioria que habita a região saiu “da cidade grande” à procura de paz.

Dica: Não deixem de provar o palmito de jaca por lá! O mais famoso é o palmito de jaca no pastel, mas eu amei a pizza de palmito de jaca. É uma delícia!

Outras guloseimas que valem a sua atenção são: o mel orgânico que é vendido numa comunidade na beira da estrada antes de chegar no Capão (já ganhou prêmio de melhor do Brasil) e o café orgânico produzido na região (o mais famoso é  Terroá)

As atrações turísticas mais conhecidas próximas ao Capão são:

  • Cachoeira da Fumaça
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A cachoeira da Fumaça no cantinho direito da foto

A Cachoeira da Fumaça é a mais alta da Chapada, com 340 m de altitude. Para vê-la por cima é preciso fazer uma caminhada fácil de umas 2h (6 km) até ela. Não é obrigatório guia, mas é recomendado.

Se o objetivo é vê-la por baixo será necessário fazer um passeio de 3 dias (ida e volta). Eu fiz uma caminhada até Lençóis e passei por esse trecho e não recomendo só fazer a caminhada para vê-la por baixo, não. A descida (e subida quando você voltar) é muito inclinada e como a cachoeira é muito alta, quase não se vê água lá de baixo. A visão da cachoeira por cima já é deslumbrante por si só.

 

  • Riachinho

O Riachinho fica uns 500 metros da entrada de Capão. É o principal ponto para se refrescar quando se está hospedado em Capão. Dá para ir a pé ou pedindo uma carona (todos que saem da cidade passam por lá). Você desce uma escadaria até o riacho que tem uma queda d’água de 8m.

 

  • Trekking
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No caminho para a Cachoeira da Fumaça

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Cachoeira do Palmital

Provavelmente por causa da localização privilegiada o Capão é também ponto de referência de início ou fim de diversas trilhas no parque da Chapada Diamantina. A mais famosa de todas é o trekking do Vale do Pati, que sai de Mucugê ou Andaraí e acaba no Capão (caminhada de 5 dias). Fiz uma trilha de 3 dias que montei com a ajuda da equipe do Extreme EcoAdventure. Super recomendo eles. Eles foram super atenciosos! A trilha que fiz foi saindo do Capão, pegando a trilha da Cachoeira da Fumaça por cima (1º dia), seguindo para a Cachoeira da Fumaça por baixo (2º dia) e terminando a caminhada com a maravilhosa Cachoeira do Palmital (3º dia). Foi uma caminhada bastante exigente.

Espero que as informações ajudem na sua próxima viagem para a Chapada Diamantina. No próximo post vou contar como foi o meu roteiro dia por dia.

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